Fonte: vaticannews.va/pt/mundo/news/2018-07/filme-vicente-canas-verbo-filmes-premio-cireneu-kuhn.html

Cristiane Murray - Cidade do Vaticano

O missionário foi assassinado em Mato Grosso, em 1987. O curta-metragem "KIWXI - Memória, Martírio e Missão de Vicente Cañas" foi dirigido pelo padre verbita Cireneu Kuhn e com depoimentos e imagens de arquivo, narra a trajetória do mártir.

 "KIWXI - Memória, Martírio e Missão de Vicente Cañas" dirigido por Cireneu Kuhn foi premiado como melhor curta-metragem pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o troféu ‘Margarida de Prata’. O prêmio, instituído em 1967, é um importante apoio à produção cultural livre do país e tem revelado nomes e confirmado diretores e produtores consagrados do cenário cinematográfico do Brasil.

 Kiwxi também recebeu a menção honrosa troféu ‘Ir. Dorothy’, tendo sido o mais votado nas redes sociais, e para Pe. Cireneu Kuhn, que recebeu os prêmios 6ª feira, 20 de julho, nos estúdios da TV Aparecida, a obra é de autoria “de muitas mãos, cabeças e sobretudo, muitos corações”.

 Vatican News o entrevistou:

  “Foi realmente uma alegria muito grande receber a notícia que o Kiwxi estava entre os três finalistas ao Prêmio ‘Margarida de Prata’, da CNBB. O filme não é só de uma pessoa: do diretor ou quem quer que seja. São muitas mãos, cabeças e sobretudo, muitos corações que se unem numa produção. Por isso, esta premiação pertence a muita gente.

 Kiwxi foi o nome que o povo indígena Enawenê-Nawê deu ao irmão Vicente Cañas, um jesuíta de origem espanhola que assumiu de tal modo a cultura e o estilo de vida dos povos indígenas que poderíamos dizer que ele se tornou como uma espécie de ‘paradigma’ de inculturação. Ele foi assassinado por fazendeiros da região do Mato Grosso que queriam tomar posse das terras dos Enawenê-Nawê. Vicente Cañas fazia parte de um grupo que trabalhava na demarcação das terras indígenas e por isso, era muito visado pelos latifundiários.

 Cinco pessoas estavam envolvidas em seu assassinato e o curioso é que só agora, 30 anos depois de sua morte, um dos mandantes de seu assassinato foi condenado pela Justiça. Na verdade, é o único ainda vivo.

 No final do documentário, coloquei uma inscrição: A justiça que tarda, falha

 A estrutura do documentário é muito simples. Na verdade, eu usei apenas depoimentos de pessoas que conviveram com Vicente Cañas e o que fica mais forte em suas falas é que realmente ele era uma pessoa fora do comum, radical em suas opções: coisas de santo. Também usei algumas imagens de arquivo, da própria Verbo Filmes, como cenas dos Enawenê Nawê na época em que Vicente era vivo. Pena que ele não aparece em nenhuma das cenas. Temos somente algumas fotos gentilmente providenciadas pelo CIMI ou enviadas por seus familiares, da Espanha.
Para concluir, gostaria de citar uma frase de Dom Roque Paloschi em uma das cenas do documentário. O contexto é uma celebração e lá pelas tantas, ele diz:

 “ O sangue dos mártires que banha o nosso chão não nos deixe insensíveis ao grito dos pobres, ao grito dos excluídos ”

 A SIGNIS América Latina e a REPAM estão coordenando a produção de uma série de documentários sobre os mártires da Amazônia. Kiwxi é o segundo documentário desta série, seguido pelo da Irmã Cleusa, ambos produzidos pela Verbo Filmes.


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