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A Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) expressou total apoio ao povo Gamela diante do acontecimento no município de Matinha (MA), no último dia 30 de abril, onde de acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) pelo menos 13 indígenas ficaram feridos, sendo que dois tiveram as mãos decepadas e cinco foram baleados.

Foto/fonte: CIMI

Em nota, a Repam “espera que sejam tomadas medidas cabíveis no sentido de elucidar os responsáveis pela violência contra o povo Gamela”.

Confira, abaixo, o texto na íntegra:

Ao povo Gamela,

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) expressa total apoio ao povo Gamela diante do acontecimento gravíssimo envolvendo-o no município de Matinha (MA), no último dia 30 de abril.


Etnia Gamela: Foto/fonte: CIMI

Em de fevereiro de 2017, no estado do Maranhão, com o apoio da Repam, foram realizados dois Seminários Laudato Sì (Louvados Sejas), em parceria com a Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) e Regional Nordeste 5 da CNBB. Nos Seminários reuniram-se mulheres quebradeiras de coco, indígenas Gamela e Guajajara, quilombolas, lavradores/as, assentados/as, catadores/as de materiais recicláveis, geraizeiros/as, pastorais sociais, sociedade civil organizada, leigos/as, religiosas/os, padres e bispos. Na ocasião ouviu-se relatos de violências sofridas, resistências e insurgências organizadas pelos povos tradicionais: a cobrança dos povos Gamela e Guajajara, secularmente expulsos de seus territórios.

Etnia Gamela: Fonte: CIMI

A Repam exige que sejam ouvidos os clamores desses povos que há séculos cultivam as terras, respeitando a biodiversidade e que mostram por suas práticas que há alternativas sustentáveis. Que sejam discutidos projetos de desenvolvimento com as populações afetadas, mostrando as informações e os relatórios de impactos socioambientais, mantidos frequentemente em segredo, apesar da Lei de acesso à Informação. Que o governo escute o povo mais do que discursem sobre seus planos e projetos. E que sejam tomadas medidas cabíveis no sentindo de elucidar os responsáveis pela violência contra o povo Gamela.

Ademais, subscrevemos a Nota publicada pelo Regional Nordeste 5 da CNBB:

Nota de solidariedade ao Povo Gamela

“Os pobres possuirão a terra”, (Mt 5,5).

Nós, bispos do Regional Nordeste 5, da CNBB, que compreende o estado do Maranhão, reunidos em Assembleia Geral, em Aparecida (SP), ao tomarmos conhecimento dos gravíssimos fatos envolvendo o povo Gamela, no município de Matinha (MA), queremos expressar nossa posição diante deste acontecimento.

Estamos indignados com a violência, desrespeito e barbárie ocorridos na tarde do último dia 30 de abril. Este acontecimento não é um fato isolado, pois assistimos a um aumento alarmante dos conflitos no campo em todo país. Manifestamos nossa solidariedade e apoio ao povo Gamela e a Dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Viana. Tivemos a oportunidade de estar com este povo durante nossa reunião anual em janeiro de 2016, comungando com suas dores, suas preocupações e expectativas.

Fiéis ao projeto de Jesus de Nazaré, o Cristo ressuscitado, somos contra toda e qualquer forma de violência. Violência sempre gera violência. Nos conflitos necessitamos de diálogo e respeito mútuo. Preocupam-nos a omissão e morosidade do Estado e das demais Instituições Públicas para resolver as situações conflitivas dos povos indígenas que há tanto tempo têm reclamado junto aos diversos órgãos competentes exigindo seus direitos.

Como pastores, defensores da vida, exigimos que os fatos sejam devidamente apurados, que as vítimas sejam socorridas dignamente, que os culpados sejam identificados e punidos e que se tomem medidas imediatas e duradouras, assegurando a integridade física deste povo e o direito sagrado à posse de seu território.

Invocamos a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem foi encontrada quebrada, identificando-se com os excluídos e tornando-se assim, força libertadora aos oprimidos de nossa Pátria, para que, em nosso estado possa cada vez mais crescer a justiça, a solidariedade, o respeito aos pobres e sejam tomadas medidas concretas em favor da vida, da dignidade dos povos indígenas e de todos os que sofrem.

Rede Eclesial Pan-Amazônica, 05 de maio de 2017

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